Pilates Aplicado em Idosos: Controle postural e quedas

Pilates Aplicado em Idosos: Controle postural e quedas

O tema de hoje é direcionado para o controle postural e quedas em idosos. E como essas informações podem auxiliar no atendimento ou na aula desse grupo de clientes. Vamos notar que as quedas estão intimamente relacionadas com o controle postural estático e dinâmico, que por sua vez, sofrem várias influências do envelhecimento normal e patológico.

O envelhecimento é inevitável para aqueles que tem uma longa continuidade de vida. Todos nós sabemos disso. Porém ele é complexo e variável em cada indivíduo. É caracterizado como um processo dinâmico e progressivo; com diversas alterações orgânicas, como por exemplo, a redução do equilíbrio e da mobilidade.

O controle postural ou equilíbrio pode ser definido como o processo pelo qual o sistema nervoso central (SNC) provoca atividade muscular necessárias para coordenar a relação entre o centro de massa e a base de suporte. Essa atividade é um processo complexo que envolve mecanismos aferentes ou sistemas sensoriais. São eles: o sistema visual, que transmite informações referentes ao ambiente externo, é a condição de medir a distância de objetos, a profundidade e a orientação espacial; o sistema vestibular: informações referentes ao ambiente interno, ele reconhece a orientação da cabeça no espaço, fornecendo informações da aceleração linear (para frente ou para trás) e angular (para cima); e o sistema proprioceptivo: possui receptores espalhados por todo o corpo e sinaliza a ocorrência de estímulos sobre a superfície da pele, a posição das partes do corpo e a tensão e o comprimento dos músculos esqueléticos quando o indivíduo adota uma postura ou executa um movimento. São eles que auxiliam o equilíbrio nas atividades diárias, como caminhar, pular e até andar de bicicleta, dando assim ao indivíduo a noção de orientação espacial. E os mecanismos eferentes ou sistemas motores (ou seja, força muscular dos membros superiores e inferiores e flexibilidade articular).

O SNC (sistema nervoso central) exerce um papel importante na manutenção do equilíbrio. Ele avalia e integra a informação sensorial indicando instabilidade proveniente dos estímulos visual, proprioceptivo e vestibular e, como resposta, seleciona a estratégia de correção postural mais apropriada para situações inesperadas ou antecipadas de perda de equilíbrio.

Após a devida integração das informações sensoriais pelo SNC, o mesmo elabora respostas neuromusculares adequadas que serão efetuadas pelos músculos. Quando ocorre uma alteração do equilíbrio, dependendo da magnitude, três estratégias de correção podem ser utilizadas para restabelecer a estabilidade. A primeira é a estratégia do tornozelo, utilizada como resposta a um distúrbio pequeno e lento, é realizada mantendo-se os pés no local de origem. A sequência de ativação muscular ocorre em ordem distal proximal, ou seja, em seqüência dos músculos relacionados ao tornozelo, joelhos e quadris. A segunda estratégia é chamada estratégia dos quadris e reposiciona o CdM (centro de massa) ao fletir ou estender as articulações coxofemorais. O recrutamento muscular, nesse caso, se faz de maneira inversa, ou seja, proximal distal. Ativando músculos do tronco, coxas e com uma pequena ativação da região dos tornozelos. O terceiro tipo de reação muscular é a do passo, utilizado quando o CdM é deslocado além dos limites da BdS (base de suporte). O passo realinha o CdM à BdS quando as duas estratégias anteriores não funcionam.

Entre as perdas apresentadas pelo idoso, está a instabilidade postural, que ocorre devido às alterações do sistema sensorial e motor. O envelhecimento dos sistemas vestibular, visual, proprioceptivo, musculoesquelético e do sistema nervoso central, afeta principalmente o controle postural, sendo este de fundamental importância para a autonomia dos indivíduos que integram esse segmento populacional.

A queda é definida como uma falta de capacidade para corrigir o deslocamento do corpo, durante seu movimento no espaço. Para que uma queda ocorra, duas condições precisam estar presentes: perturbação do equilíbrio e falha, por parte do sistema de controle postural, em compensar essa perturbação.

O desequilíbrio é um dos principais fatores de limitação da vida do idoso e, em 80% dos casos, não pode ser atribuído a uma causa especifica. Em aproximadamente 20% das pessoas acima de 60 anos, as atividades diárias são comprometidas pela tontura, que podem provocar quedas e ser acompanhadas de fraturas. O próprio medo de cair é uma das causas de quedas nos indivíduos idosos. Esse sentimento leva à limitação das atividades diárias e traz prejuízo no relacionamento familiar, social e profissional.

O risco de quedas pode ser minimizado com a prática de exercícios físicos. A atividade física tem sido comprovada como fator de melhora da saúde global do idoso, sendo o seu incentivo, uma importante medida de prevenção das quedas, oferecendo aos idosos maior segurança na realização de suas atividade de vida diária. O Método Pilates com treino de fortalecimento, flexibilidade e coordenação trás diversos benefícios para este público, ainda mais quando associamos treinos funcionais de equilíbrio e marcha. Quando em treinos de equilíbrio e marcha esteja próximo ao idoso para lhe oferecer segurança. Caso seu cliente seja um vestibulopata, pessoas com desequilíbrio associados com sintomas de vertigens e/ou tonturas encaminhe para o profissional capacitado em Reabilitação Vestibular, antes de fazer treinos de equilíbrio. Enquanto isso foque e direcione para outros objetivos a serem alcançados com sua aula.

REFERÊNCIA:

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By |2019-08-20T17:36:00-03:00agosto 20th, 2019|Pilates|0 Comments

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