Pilates no tratamento da hipertensão arterial

Pilates no tratamento da hipertensão arterial

A hipertensão arterial é uma doença crônica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados da pressão arterial (PA). Para que um indivíduo seja considerado hipertenso, a sua pressão arterial sistólica deve ser de 140mmHg/ e a diastólica, 90mmHg. Já a pré-hipertensão é caracterizada por uma pressão arterial sistólica (PAS) entre 121 e 139 e/ou PA diastólica (PAD) entre 81 e 89 mmHg.  A hipertensão é considerada um dos mais importantes problemas de saúde pública devido a sua alta prevalência e aos problemas que estão associados a ela. Um aumento da pressão arterial sistólica de 115mmHg para 135mmHg duplica o risco de doenças cardiovasculares e morte por acidente vascular cerebral.

Dentre os fatores de risco para a ocorrência da hipertensão, estão a ingestão de sal, de álcool e o sedentarismo. Nesse sentido, mudanças no estilo de vida como adoção de uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos são eficazes tanto como prevenção, quanto como tratamento não medicamentoso para hipertensão.

Uma metanálise realizada em 2017 por Sousa e colaboradores demostrou que o treinamento de força dinâmica com sessões com 60 minutos de duração, realizadas três vezes por semana, com intensidade progressiva, pode reduzir os níveis pressóricos em indivíduos pré-hipertensos e hipertensos. Nesse contexto insere-se o Pilates, um método de treinamento de força e condicionamento físico que possui em seu repertório exercícios que contem contrações dinâmicas, que é a contração muscular que envolve movimento articular, e isométricas, na qual não há movimento articular durante a contração. E exercícios com essas características tem sido reconhecidos como estratégia positiva de tratamento, pois podem reduzir a pressão arterial.

A 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão, publicada em 2016 recomenda que as sessões de treinamento resistido sejam realizadas de 2 a 3 vezes por semana, com 8 a 10 exercícios, e 1 a 3 séries de 10 a 15 repetições com intensidade moderada.

Não podemos esquecer que para tratar um indivíduo hipertenso com segurança é importante conhecer qual volume, carga de trabalho, intervalo de recuperação e intensidade que devem utilizados em cada protocolo de treinamento, pois estas variáveis interverem nas respostas cardiovasculares.

E como controlar a intensidade no Pilates? Podemos utilizar escalas de percepção de esforço, como a escala de OMNI – RES, validada para ser utilizada durante as sessões de treinamento de força. A escala varia entre 0 a 10, na qual 0 significa extremamente fácil e 10, extremamente difícil. Para utilizar a escala é importante que antes das aulas você explique ao aluno o que significa cada item na escala para que ele compreenda os descritores numéricos, visuais e verbais da mesma. Sugiro que faça algumas sessões de familiarização, a fim de minimizar a possibilidade de erro. Durante a sessão de treinamento, você deve solicitar ao seu aluno que ele indique na escala qual foi o esforço percebido ao final de cada série de todos os exercícios, ou seja, o quão difícil foi realiza-lo, para que possa ajustar as variáveis a partir desse feedback.

Além disso, a respiração, um dos principais princípios do Pilates, além de auxiliar na execução correta dos exercícios, favorecer a conexão com os demais princípios e promover o relaxamento, pode para favorecer a redução dos níveis pressóricos. De que forma? Nós instrutores de Pilates, podemos guiar a respiração dos nossos alunos para que ela seja um ato consciente. Devemos solicitar que a respiração seja realizada de forma lenta e regular, pois assim ela atuará como componente hipotensivo.

Caso queiram dialogar um pouco mais sobre esse tema, fiquem à vontade para comentar, será uma satisfação respondê-los.

Referências

MARTINS-MENESES et al.  Mat Pilates training reduced clinical and ambulatory blood pressure in hypertensive women using antihypertensive medications. International Journal of Cardiology. 2017; 179: 262–268.

Sociedade Brasileira de Cardiologia. VII Diretrizes brasileiras de hipertensão. Arq Bras Cardiol. 2016;107(3): 1-83.

SOUSA et al. Resistance training alone reduces systolic and diastolic blood pressure in

prehypertensive and hypertensive individuals: Meta-analysis. Hypertens Res. 2017;40(11):927-931.

CHADDHA,  et al.. Device and non-device-guided slow breathing to reduce blood pressure: A systematic review and meta-analysis. Complement Ther Med. 2019;45:179-184.

RODRIGUES et al. A single bout of resistance exercise does not modify cardiovascular responses during daily activities in patients with peripheral artery disease. Blood Press Monit. 2014; 19(2): 64–71.l

By |2019-10-14T08:48:54-03:00agosto 23rd, 2019|Pilates|0 Comments

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